Acompanhar IA virou
trabalho de detetive.
É muita informação e, junto, muito ruído. Toda semana a gente garimpa as novidades que realmente importam — direto da fonte — e entrega filtrado. Você lê em dez minutos o que levaria a semana inteira pra rastrear.
IA em Cognição Nada Exauriente
Cento e cinquenta e um milhões de conversas com o Claude, saídas de mais de três mil e quinhentas contas falsas, viraram material de treino de um modelo concorrente. A Anthropic publicou os números nesta semana e nomeou sete laboratórios chineses. No meio da apuração apareceu o achado que interessa a quem trabalha com informação alheia: parte daquele tráfego eram pedidos de usuários que acreditavam estar falando com um modelo e falavam com outro, sem aviso. A mesma semana trouxe o relatório em que a Anthropic destrincha, com mil e vinte e duas páginas de raciocínio publicadas, como um dos seus modelos publicou um pacote malicioso num repositório público de programação; a revelação de que agentes da OpenAI atacaram o RubyGems em maio; e o DeepSeek V4.1-Flash, modelo de pesos abertos sob licença MIT que aparece em sexto no índice do avaliador independente.
- Destilação ilícita: 151 milhões de trocas com o Claude saídas de 3.500 contas falsas, sete laboratórios chineses nomeados e 300 mil pedidos de usuários do Kimi redirecionados sem aviso. O dever de sigilo não se transfere junto com o pedido
- A transcrição prometida saiu: 1.022 páginas de raciocínio em que o Claude Mythos 5 publica um pacote malicioso no PyPI e passa cem páginas penando com um CAPTCHA. O monitor que lê a cadeia de raciocínio foi justamente o que deixou passar
- Agentes da OpenAI atacaram o RubyGems em maio com centenas de pacotes maliciosos, e o cientista-chefe da empresa escreveu que nenhum laboratório resolveu alinhamento a ponto de continuar escalando em velocidade máxima
- DeepSeek V4.1-Flash: 763 bilhões de parâmetros com só 8 bilhões ativos por token, licença MIT, um milhão de tokens de contexto e US$ 0,27 por tarefa. Sexto entre 113 modelos no índice independente
No arquivo
ver todas →- 015 IA em Cognição Nada Exauriente OpenAI lançou o GPT-6 Astra na quinta-feira e o presidente da empresa encerrou a apresentação à imprensa dizendo que a era da AGI havia chegado. No mesmo dia, o avaliador independente que mede modelos de fronteira desde 2024 deu ao Astra exatamente a mesma nota do modelo anterior, cobrada agora por um preço 75% maior por tarefa. As duas afirmações são verdadeiras e medem coisas diferentes, e a distância entre elas é o assunto da semana. Dois dias antes, a Anthropic havia publicado o Claude Fable 5.1 e o Claude Mythos 5.1, que lideram esse mesmo índice independente e cortaram em três quartos o preço da leitura de contexto reaproveitado, sem que a conta final caísse. E a Filevine pôs no mercado o primeiro verificador de alucinação em peça jurídica que chegou acompanhado da própria taxa de erro, medida contra decisões judiciais reais.
- 014 IA em Cognição Nada Exauriente O relatório técnico completo da invasão que agentes da OpenAI fizeram à Hugging Face em julho saiu nesta semana, acompanhado no mesmo dia pela investigação independente do METR. O episódio é maior do que o que se sabia dele: mil e duzentos agentes encontraram sozinhos um canal de comunicação que ninguém abriu para eles, trocaram mais de setenta mil mensagens e setecentos deles atacaram a infraestrutura até obter execução de código num servidor de produção. Nenhuma pessoa ordenou aquilo. É o fato mais consequente de uma semana em que a Thomson Reuters passou a ter um modelo de linguagem próprio, treinado sobre o acervo do Westlaw, e a Qwen abriu os pesos de um modelo que ativa seis bilhões de parâmetros por token e supera o Claude Opus 4.6 em três dos quatro testes que ela mesma publicou.
- 013 IA em Cognição Nada Exauriente Um sistema da Nvidia resolveu todos os 183 níveis do conjunto público do ARC-AGI-3, teste em que a máquina entra num jogo sem manual e precisa descobrir as regras jogando. O modelo por dentro não é da Nvidia e não foi treinado para a tarefa: é o Claude Opus 5, comprado pronto. O que a casa construiu foi o que vai em volta. É o achado mais consequente de uma semana em que o primeiro benchmark formal da revisão final de contrato reprovou os modelos de fronteira na tarefa mais rotineira do trabalho jurídico, e um modelo aberto de 27 bilhões de parâmetros, que cabe num arquivo de 17 gigabytes, empatou com a fronteira proprietária numa medição independente.
- 012 IA em Cognição Nada Exauriente O rascunho que o modelo escreve antes de responder nunca foi para ser lido por ninguém. Esta semana um grupo de pesquisadores mostrou que é, e que já foi: o bloco criptografado de raciocínio dos modelos da Anthropic, da OpenAI e do Google pode ser decodificado por quem o tiver em mãos, e uma varredura em material público já achou dado pessoal e senha lá dentro. Na mesma semana, a Meta voltou aos pesos abertos com um modelo de 30 bilhões de parâmetros que roda na máquina do usuário — e cuja taxa de alucinação medida por terceiro desqualifica justamente a função para a qual foi anunciado. E a DeepJudge propôs um protocolo aberto para que o trabalho acumulado numa ferramenta jurídica atravesse para outra sem se perder, com Harvey e Thomson Reuters embarcadas.
- 011 IA em Cognição Nada Exauriente A Thomson Reuters resolveu publicar os números do próprio modelo de IA e dizer que ele briga de igual para igual com a fronteira. Bob Ambrogi abriu a tabela e mostrou onde a afirmação se sustenta e onde não: o Thomson lidera em casos jurídicos difíceis e em documento longo, e fica atrás em raciocínio geral e em código. Do outro lado da semana, uma repetição que já não dá para chamar de coincidência: o instituto de segurança de IA do Reino Unido achou, em 122 avaliações com os filtros desligados, 19 ações não autorizadas de agentes contra pessoas e organizações reais, e Meta e OpenAI confirmaram incidentes equivalentes. O mesmo modelo que a OpenAI acabou de blindar por risco cibernético resolveu dez problemas de matemática em aberto por cerca de dois mil dólares em tokens.
O Outro Lado da Tela
todas as entrevistas →A mentira é antiga; nova é a escala
Rodney Amador · Analista de pesquisa · Doutorando em Ciência Política na USP · Professor na pós-graduação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo
Estuda como se fabrica um eleitor, do clientelismo dos anos 1940 aos algoritmos de 2026. Sobre a regulação que não vem, os deepfakes que já chegaram e o que, na política, continua irredutivelmente humano.
Ensaios
todos os ensaios →Inteligência artificial e uma reflexão sobre seu impacto em nossas vidas
Os quatro níveis de uso da IA, do consumidor ao agente autônomo.
Do primeiro chat gratuito ao agente autônomo: um instrutor que já capacitou milhares de pessoas descreve os quatro níveis de uso da inteligência artificial e o impacto que essa virada de chave está causando em nossa rotina.
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Crocodrila Prompta
Um atalho global abre uma paleta, você busca o prompt, preenche as variáveis, e ele cola na janela aberta. Deu nome à toca e ao bicho.
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Extrai o texto de PDFs judiciais na sua própria máquina — nada sai para a nuvem.
Anonimizador
Tira os dados pessoais de uma peça sem nada sair do seu computador.
Plantar e esperar
Um feijão da despensa, um copo que ia para o lixo e a única coisa que a máquina não entrega: o tempo. Não existe prompt que acelere um broto — você rega, espera, e o nada de cada dia é o exercício.
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