Inteligência artificial e uma reflexão sobre seu impacto em nossas vidas
Os quatro níveis de uso da IA, do consumidor ao agente autônomo.
Este texto começa com uma premissa: provocar em você, até o final da leitura, uma reflexão sobre o impacto do uso da inteligência artificial em sua vida.
Esse impacto está diretamente ligado à forma como enxergamos a IA, como ela já se instalou em nossas atividades, em nossos aparelhos eletrônicos e até em nossa capacidade cognitiva, especialmente quando começamos a delegar a ela parte do ato de pensar em profundidade.
Já capacitei milhares de pessoas no uso da IA, em cursos que ministro ao vivo e também na modalidade EAD. Minha percepção é que, apesar do tempo em que essa tecnologia já está disponível, muitas pessoas ainda não conhecem plenamente suas aplicações, sua capacidade e, principalmente, seus limites.
Por isso, acredito que vale a pena explicar, sob meu ponto de vista, as quatro principais fases em que você pode se beneficiar do uso da IA.
Nível 1: Consumidor de IA
Neste primeiro nível, você utiliza uma das IAs disponíveis no mercado, geralmente em sua versão gratuita.
Ela pode ser acessada pelo celular, por meio de um aplicativo, ou diretamente pelo site de um dos modelos disponíveis, como ChatGPT, Copilot, Perplexity, Gemini, Grok ou qualquer outro.
Não estou falando aqui de plataformas mais especializadas, como Canva ou Ideogram AI, que possuem recursos voltados à criação visual. Refiro-me, especificamente, às ferramentas de chat conversacional.
Ao abrir uma janela de chat e digitar um prompt em linguagem natural, a inteligência artificial produz uma interação semelhante a uma conversa humana.
Você faz uma pergunta, apresenta um problema ou propõe um assunto, e ela está ali para entregar uma resposta que, muitas vezes, parece incrível.
Essa resposta pode estar errada, incompleta ou até conter uma alucinação. Ainda assim, a experiência costuma impressionar.
Nesse nível, você basicamente interage com a IA para apoiar atividades mais simples do dia a dia, e isso pode atender muito bem às suas necessidades iniciais.
Também começa a ocorrer, aos poucos, uma substituição de algumas pesquisas que antes eram feitas no Google por consultas diretas em ferramentas de IA.
Até que surge uma nova necessidade.
Você percebe que pode evoluir e precisa avançar para o nível 2.
Nível 2: Criação de um assistente pessoal
Quando o uso da IA começa a se tornar cansativo ou repetitivo, principalmente porque você precisa digitar instruções semelhantes sempre que quer realizar uma tarefa, começa a pensar em soluções mais sofisticadas para suas demandas.
Uma dessas necessidades é o que chamo de “eliminar repetições” ou, de forma mais direta, automatizar parte de um processo.
Depois de passar pelo nível 1, o nível 2 permite que você comece a enxergar sua janela de chat como um assistente pessoal ou como um especialista em determinado assunto.
Esse assistente é, basicamente, uma janela de conversa com instruções claras sobre como deve agir em uma situação específica.
Ele pode ser configurado para resolver problemas pontuais, responder dentro de determinado contexto ou seguir um padrão de atuação.
Geralmente, criamos uma conversa com instruções bem específicas sobre o que deve ser feito. Ao acessar aquela janela, conseguimos obter respostas com mais rapidez, usando poucos prompts ou até mesmo enviando um arquivo sem precisar digitar praticamente nada.
O problema é que, com o tempo, a conversa pode acumular contexto demais.
A janela fica extensa, reúne muitas solicitações diferentes e pode perder consistência. Isso não significa que a IA necessariamente irá alucinar, mas o risco de confusão, perda de contexto ou respostas menos precisas pode aumentar.
Alguns exemplos de chats especializados:
- Tradutor de textos;
- Extrator de dados de PDFs ou imagens;
- Professor ou instrutor de determinado tema.
Conseguiu imaginar como poderia utilizar isso?
Espero que sim.
E, então, chegamos ao nível 3.
Nível 3: Agente especialista para reutilização
Aqui começamos a entrar em um nível mais interessante de uso.
Depois de passar pelos dois níveis anteriores, você pode criar um agente mais específico, reutilizável e preparado para abrir múltiplas janelas de chat, cada uma com um contexto próprio.
Isso ajuda a organizar melhor as tarefas, reduzir interferências entre assuntos diferentes e aumentar a consistência das respostas, embora não elimine completamente o risco de erro ou alucinação.
Esse tipo de estrutura pode ser criado, por exemplo, com um GPT personalizado no ChatGPT ou com um agente no Microsoft Copilot.
Por meio de instruções em linguagem natural, essas ferramentas permitem que você configure agentes a partir de prompts, sem a necessidade de ser programador ou especialista técnico.
Depois de criado, o agente pode ser refinado, testado e utilizado quantas vezes forem necessárias.
Aliás, neste ponto, meu chefe costuma dizer: “Se você não perder algumas horas escrevendo um bom prompt de agente, provavelmente não fez um bom agente”. Faz todo o sentido.
Neste nível, você passa muito mais tempo refinando as instruções do agente, testando respostas, ajustando comportamentos e definindo limites do que propriamente utilizando-o.
E vale lembrar: um bom agente não depende apenas de um prompt longo.
Ele também pode envolver fontes de conhecimento, arquivos de apoio, ferramentas, integrações, critérios de validação e regras claras de funcionamento.
Alguns exemplos:
- Um agente para melhorar, adaptar ou potencializar seus prompts;
- Um agente com características predeterminadas e identidade visual para criação de infográficos;
- Um agente voltado à escrita de artigos para redes sociais, blogs pessoais ou canais corporativos.
Atualmente, estou nesse nível 3 e começando a migrar alguns dos meus agentes para o nível 4.
Nível 4: Agentes autônomos de IA
Esta é uma etapa mais específica e é importante saber que ela existe, mas você não precisa necessariamente chegar até aqui.
Também não significa que todas as pessoas seguirão exatamente a mesma sequência. Essa divisão em níveis é uma forma didática de visualizar a evolução no uso da IA, e cada pessoa ou organização pode percorrer esse caminho de maneira diferente. Essa é minha maneira de ver a progressão de seu estudo e aplicação prática.
Para chegar a esse nível dos agentes autônomos, é recomendável compreender bem os níveis anteriores e buscar conhecimento em ferramentas de orquestração, que permitirão controlar adequadamente o que seus agentes irão entregar.
E posso dizer que ninguém chega ao topo de uma escada de conhecimento sem passar pelos degraus do caminho.
Um agente autônomo é capaz de receber um objetivo, dividir esse objetivo em tarefas, escolher ferramentas, executar ações, avaliar resultados e ajustar o próprio caminho.
Dependendo da configuração, ele também pode interagir com sistemas, consultar dados, gerar documentos, enviar informações ou executar determinadas rotinas.
Essa autonomia dos agentes não deve significar ausência de supervisão. Quanto maior o poder de ação do agente, maior deve ser o cuidado com segurança, privacidade, custos, acesso a informações, validação humana e limites de atuação. Colocar guardrails ou passos de segurança é essencial para trabalhar nesse nível.
É nesse ponto que a IA deixa de ser uma ferramenta reativa ou de consulta e passa a ser uma estrutura capaz de executar processos.
O impacto em nossa vida
E que tal voltar ao ponto principal e falar sobre o impacto que a IA está causando em nossa vida?
O primeiro impacto é a ansiedade provocada pela avalanche de novidades que surgem dia após dia nos modelos e em seus recursos. Parece que não há tempo suficiente para aprender tudo o que aparece, ao mesmo tempo em que ainda estamos tentando praticar o básico e entender suas funcionalidades essenciais.
Nas palestras, workshops e cursos que ministro, percebo uma mistura de dúvida, desconhecimento e, em alguns casos, uma dificuldade real de enxergar até onde a inteligência artificial pode ser aplicada em nossa rotina.
É gratificante observar como a expressão das pessoas muda ao longo desses encontros. Ela varia entre o “eu não sabia disso” e o “preciso aplicar isso imediatamente”. No final, o resultado passa a ser um só: “Quero aprender mais.”
Há um receio, entre os profissionais, de que suas atividades, cargos e funções serão afetados no futuro. Eu acredito que a profissão não desaparecerá, mas determinadas tarefas serão transformadas, automatizadas e extintas.
O melhor caminho não é ignorar essa onda de uso de IA e nem entrar em pânico. Devemos nos preparar, entender o processo, desenvolver novas competências e avançar gradualmente, um nível de cada vez. E não é preciso fazer os 4 níveis. Chegando no nível 3 você já será um profissional diferenciado.
Ninguém está completamente seguro diante de uma mudança tecnológica dessa dimensão, nem eu mesmo! Vejo minha atividade de instrutor em risco. E tenho que me adaptar aos novos tempos. Estamos presenciando uma virada de chave que dificilmente terá volta.
Precisamos nos adaptar o quanto antes.
Essa adaptação exige esforço, persistência e, principalmente, a criação de uma rotina de estudos e prática. Muita prática!
Seja curioso(a). Não espere concluir 10, 20 ou 50 cursos antes de começar a utilizar a inteligência artificial para potencializar suas atividades. Comece já! Ponha a mão na massa. Teste, erre, ajuste, refaça, até conseguir.
Tenho certeza de que esse será um dos melhores caminhos de aprendizado para você e, caso precise de apoio, tenho cursos completos no YouTube, em meu portal de treinamento e também em canais parceiros que vão te ajudar.
Agradeço a leitura deste artigo e espero ter atingido o objetivo inicial: provocar em você uma reflexão sobre o impacto da inteligência artificial em sua vida.
Agora deixo uma pergunta: em qual desses quatro níveis você está hoje e até onde quer chegar?
Bons estudos!
Alessandro Trovato — Compartilhando conhecimento, sempre!
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