Bom dia, pessoal. Então, vamos lá. Eu sou o professor da disciplina de Teoria Social, né, e hoje a gente fecha o módulo dois, que é sobre a teoria crítica.

A teoria crítica nasce com a Escola de Frankfurt, especialmente com o Horkheimer, que em 1937 escreve aquele texto famoso, Teoria Tradicional e Teoria Crítica. O que o Horkheimer está dizendo ali é que... é que a ciência não é neutra, tá? A ciência sempre reflete interesses sociais. A teoria tradicional finge que o cientista está fora da sociedade, olhando de cima. A teoria crítica diz: não, você está dentro, e o que você pesquisa e como pesquisa tem a ver com a forma como a sociedade está organizada.

Aí, dez anos depois, ele e o Adorno escrevem a Dialética do Esclarecimento. Eu acho que é de 47, se não me engano. E a tese ali é mais pessimista: a razão que prometia libertar, o esclarecimento, vira instrumento de dominação. Razão instrumental, guardem esse nome. É a razão que só pergunta pelos meios, nunca pelos fins.

Um exemplo que eu gosto, tipo, para vocês entenderem: a indústria cultural. O filme de Hollywood, a música feita em série. Para o Adorno, isso não é só entretenimento, é a padronização da consciência. Vocês podem discordar, e muita gente discorda, né. O Walter Benjamin, que era próximo deles, tinha uma leitura mais otimista da reprodução técnica, aquele ensaio sobre a obra de arte, que eu não lembro o ano agora.

Depois vem a segunda geração, o Habermas. O Habermas vai dizer que o diagnóstico do Adorno e do Horkheimer é... como é que eu digo... é um beco sem saída. Se toda razão é dominação, de onde vem a crítica? Então ele propõe a razão comunicativa, o entendimento pelo diálogo. Isso aparece mais no Teoria do Agir Comunicativo, e antes já tinha o Conhecimento e Interesse, de 68.

Isso tem tudo a ver com o direito, viu. Quem fizer a disciplina de filosofia do direito vai ver o Habermas de novo, discutindo legitimidade, democracia deliberativa.

E fica uma pergunta para a próxima aula, que eu quero que vocês pensem: será que a internet, as redes sociais, confirmam o pessimismo do Adorno ou a aposta do Habermas no diálogo? Tem um autor, um coreano, Han, que escreve sobre isso, mas a gente vê depois.

Bom, é isso. Leiam o texto do Horkheimer para a semana que vem.
